Ainda está escuro em Curralinho, na Ilha de Marajó, no Pará, e João Carvalho Tenório, 9 anos, já se prepara para ir à escola. Ao lado dos irmãos, Adelso, 10, e Jesuel, 16, ele é o primeiro a entrar no barco contratado pela prefeitura para levar 65 estudantes até a EMEF Feliciana Peres Duarte. A rotina 4,8 milhões de alunos brasileiros cerca de 3,45 milhões só no Ensino Fundamental utiliza o transporte escolar regularmente, o que faz com que o serviço (oferecido pelas redes públicas apenas na zona rural) responda pelo maior gasto das Secretarias de Educação em 70% dos municípios brasileiros e em outros seja o item número 2 na lista de despesas, atrás apenas da folha de pagamento.
João e seus irmãos sobem a bordo pontualmente às 5h45 e seguem com o barco de madeira típico da paisagem fluvial amazônica durante uma hora e meia, recolhendo colegas nos incontáveis veios d água que cortam o município. No total, 132 barcos são usados atualmente nessa operação, levando às 48 escolas locais perto de 6 mil estudantes, o que corresponde a 90% do total. Por isso, Curralinho é considerada pelo Ministério da Educação um exemplo de organização. E o desempenho na sala de aula justifica amplamente os 145 mil reais gastos mensalmente pela Secretaria Municipal de Educação com os barqueiros e o combustível: a freqüência aumentou 30% nos últimos três anos, e o índice de aprovação melhorou 20%.
jancimar sena
http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0211/aberto/mt_274558.shtml
jancimar sena

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